O GRITO SILENCIOSO DOS NOSSOS ADOLESCENTES
Juliana Santos • 26 de agosto de 2025

A tecnologia digital junto com inúmeras inovações que surgem a cada bimestre está causando um alvoroço no comportamento dos adolescentes, isso porque o novo, o disruptivo é altamente hipnotizante e chama a atenção.

Os impactos positivos para os estudos e a formação do desenvolvimento humano geram um despertar, estimular e proporcionar diversas possibilidades de aplicar os conhecimentos, inovar produtos, serviços, soluções de problemas, como também, diversificar as formas que podem ser construídos inúmeros materiais que ainda se quer existem.

Os impactos negativos vão desde o prejuízo na formação da massa cerebral está associado a alterações na integridade da substância branca do cérebro em adolescentes, conforme revelado por imagens de tensor de difusão (DTI).

Os resultados desses prejuízos no dia a dia dos adolescentes que passam muitas horas nas telas digitais imersos a conteúdos que não são educativos são apresentados das seguintes formas:

1. Prejuízo na atenção sustentada

2. Atrasos no desenvolvimento cognitivo

3. Diminuição da capacidade de concentração

4. Alterações no córtex pré-Frontal

5. Aumento da ansiedade

6. Risco de depressão

7. Distúrbios do sono

8. Aumento da impulsividade

9. Prejuízo na regulação emocional

10. Aumento do risco de dependência digital

11. Isolamento social

12. Redução da autoestima

13. Atrasos na linguagem e comunicação

14. Comprometimento das funções executivas

15. Aumento de comportamentos de risco

16. Redução da capacidade de resolução de problemas

17. Afinamento precoce do córtex cerebral

18. Risco de comprometimento cognitivo a longo prazo


A escola pode contribuir para prevenção desses danos. Seguem alguns dos passos.

  • Criar campanhas de conscientização dentro da escola e junto com a família;


  • Promovendo debates, palestras e treinamentos para que os professores possam reconhecer sinais de dependência digital e a como conversar com os alunos;


  • Contratar constantemente jornadas de atualizações sobre ferramentas digitais para que os professores possam acompanhar e estarem atualizados com o que tem de novo na tecnologia para o ensino.


  • Trazer a família para a escola com eventos dinâmicos, conversas, palestras para que os responsáveis possam não somente a identificar, como prevenir o excesso de tempo digital dos seus filhos, utilizar aplicativos parentais; criar canais de comunicação para explicar os efeitos dos prejuízos, perigos e implicações sobre o cyberbulling;


  • Promover apoio psicopedagógico para os alunos que apresentam vício digital e aproximar a família para os devidos tratamentos e cuidados a serem realizados.


 Realizar atividades extracurriculares como clubes de leitura, oficina de robótica, esportes, laboratório e artes, teatro e outras atividades que estimulem a socialização e o desenvolvimento de habilidades offline.


A escola pode melhorar a retenção e aumentar a participação e interação dos alunos. Abaixo algumas sugestões de mudanças e aprimoramento:

  • Aplicar aula invertida: Os alunos estudam conteúdos teóricos em casa (vídeos, podcasts, textos interativos) e usam o tempo em sala para debater, resolver problemas, tirar dúvidas e fazer projetos práticos.


  • Gamificação do aprendizado: Transformar tarefas e conteúdos em jogos, missões ou desafios, usando pontos, rankings, medalhas virtuais e recompensas. Traz o engajamento dos jogos digitais para o ensino, aumentando a motivação.


  • Aprendizagem baseada em projetos: Alunos trabalham em projetos reais, investigando problemas e propondo soluções, apresentando resultados para a comunidade. Desenvolve habilidades do século XXI (criatividade, colaboração, pensamento crítico).


Algumas formas de conversar com os adolescentes sobre consciência digital de uma maneira efetiva

  • Use uma linguagem direta e não julgadora com uma abordagem que reconheça a importância da tecnologia na vida dos jovens, mas destaque os benefícios de um uso equilibrado.


  • Compartilhe exemplos práticos: Relacionar os impactos do uso excessivo de telas a situações do cotidiano, como dificuldade em estudar para provas ou sentir-se sobrecarregado por notificações. Há diversos vídeos no YouTube de especialista da área da saúde e educação.


  • Interatividade: Promova dinâmicas como jogos, quizzes ou desafios que incentivem os alunos a refletirem sobre seus hábitos digitais. Por exemplo, um "desafio sem telas" por 24 horas pode ajudá-los a perceber como a tecnologia influencia seu dia a dia.


  • Uso de mídias digitais: Como os adolescentes já estão imersos no mundo digital, campanhas em redes sociais da escola, vídeos curtos no TikTok da escola ou Instagram da escola e memes educativos podem ser ferramentas poderosas para engajá-los.


A união da escola com a família tem o poder de dar certo e resgatar o brilho dos adolescentes.


Referências:

Revisão sobre traumas na infância e adolescência e seus impactos epigenéticos no desenvolvimento ao longo da vida (Recima21, 2024)

https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/5593

Liu, M., et al. (2021). Excessive Screen Time and Its Impact on Brain White Matter Integrity in Adolescents: A Diffusion Tensor Imaging Study. Frontiers in Human Neuroscience, 15, 678910.

https://doi.org/10.3389/fnhum.2021.678910


Juliana Santos - Palestrante internacional educacional sobre o uso consciente de telas digitais, inteligência artificiais para as escolas, pedagoga e psicopedagoga.



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